segunda-feira, 23 de julho de 2018

Entrevista com o pastor Marcos Lima: "A cada dia temos mais pastores e líderes analfabetos em Bíblia e que não oram"


Marcos Lima é pastor da Igreja Batista em São Vicente Ferrer e segundo secretário da Convenção Batista de Pernambuco. Teólogo e filósofo, é ainda professor na Faculdade de Teologia Integrada (Fatin). Com experiência no campo de políticas públicas e de juventude, conversamos com ele sobre os desafios para a igreja evangélica, principalmente em um período de tanta turbulência política.


Em períodos de tanto acirramento político e desencantamento com o futuro do País, como o atual, qual deve ser o papel da igreja na sua opinião?

Hoje em dia existe muita confusão e desestimulo sobre qual o papel da igreja perante a sociedade.
Depois de passarmos anos e anos visualizando a corrupção e as atitudes erradas dos governantes, afastamo-nos da política. A grande maioria dos cristãos não tem interesse e motivação para participarem de política. Um grande equivoco. Deus sempre levantou juízes, profetas, apóstolos, líderes. A missão deles era propagar o evangelho. O evangelho é sobre a pessoa de Jesus Cristo, "as boas novas". Contudo quando uma nação tem Jesus, os parâmetros a serem seguidos são utilizando ele como referência.

Nesse momento, é necessário que os cristãos participem de debates, busquem conhecer cada dia mais as ações práticas da igreja, buscar fazer a diferença e utilizar os parâmetros de Jesus onde nós estamos inseridos. Estimular os nossos irmãos a entenderem que a mudança de rumo começa no primeiro passo. Temos o poder de fazer a diferença, o voto, mas não basta votar, é necessário cobrar, fiscalizar, acompanhar.

Precisamos motivar principalmente a nova geração.  Só assim teremos uma igreja que se preocupa não só com sua comunidade local, mas com a diferença que o evangelho faz na vida das pessoas, inclusiva as que estão na política.

Você é um pastor bem jovem, mas já é secretário da Convenção Batista de Pernambuco e tem experiência no trabalho com várias instituições da denominação e para-denominacionais. Que orientações você daria para os jovens pastores e para aqueles que estão se formando nos seminários sobre os primeiros passos no ministério?

Aprender, nunca achar que tem o conhecimento suficiente. Procurei estar sempre perto de professores, líderes, pastores, tentei absorver o máximo que eu podia. Frequentei congressos, a grande maioria das atividades da Convenção Batista de Pernambuco eu participava, como participo até hoje. Nunca me dei por satisfeito, conhecimento nunca é demais. Não olhar para o lado também é fundamental. Na caminhada vi pessoas com condutas inapropriadas, com motivações erradas, com pecados que me escandalizaram em algum momento. Nem sempre é fácil olhar para os erros dos seus líderes e mentores, isso me deixou mais humano, entendendo que todos somos pecadores e falhos, e qualquer um pode errar. Não olhar para as pessoas, quando fazemos isso caímos no erro de perder o foco e a direção a seguir. O foco deve ser sempre Jesus. Estar perto de pessoas que transmitam o amor de Jesus, que reflitam a Luz de Jesus, isso é primordial. Orar e ler a bíblia, parece ser um conselho que não deveria ser colocado pelo fato de ser algo essencial para a sobrevivência, mas cada dia mais temos pastores e líderes analfabetos em bíblia e que não oram. Diria também para estarem no centro da vontade de Deus, esse é o melhor lugar para se estar.

Como tem sido a experiência do pastoreio da cidade de São Vicente Ferrer? É bem diferente das suas experiências anteriores na cidade do Recife.

O interior é muito diferente da capital, mesmo estando a apenas 105 km de distância existem muitas diferenças, climáticas, religiosas, culturais, educacionais.
Temos uma cidade bastante jovem, por esse motivo a igreja tem um trabalho significativo com juventude em nossa cidade. As pessoas são mais acolhedoras, abrem suas portas com facilidade, estão mais "disponíveis" ao evangelho. Tentei fazer com que a igreja entendesse a necessidade de sairmos das quatro paredes. De pregar o evangelho na prática, de fazer a diferença na vida das pessoas, de cuidarmos uns dos outros e ajudarmos uns aos outros. A igreja hoje, pela misericórdia de Deus, tem se tornado uma referência na cidade, local onde as pessoas vão quando precisam de ajuda, qualquer tipo de ajuda. Não é um assistencialismo, mas uma concepção do partilhar do pão, de dar uma roupa minha a alguém que não tem o que vestir, dividir um prato de comida com quem não tem nada para comer, de ajudar alguém que luta contra as drogas a se recuperar e se livrar deste mal. Hoje, vivemos uma igreja em movimento, uma igreja no "ide" de Jesus.

Quais seriam os principais desafios da igreja evangélica em Pernambuco na sua opinião?

Voltar ao Evangelho. Temos perdido a essência. Precisamos voltar ao inicio. Se necessário, outra reforma, ou mais um ainda. Precisamos sair da nossa zona de conforto, do nosso sofá, da nossa casa e nos colocar a disposição do Evangelho, de proclamá-lo. A igreja pernambucana tem muito potencial contudo é muito desunida. As denominações estão preocupadas com suas necessidades. Se a igreja pernambucana tivesse uma preocupação maior com os necessitados, as pessoas que não conhecem a Jesus, nós estaríamos em outro nível.

6 comentários:


  1. Deus abençoe grandemente o Pr Marcos!

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  2. Parabens pastor pela visao ministerial cristocentrica.

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  3. Parabéns pastor,que Deus continue te abençoando e te dono mais sabedoria

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  4. Parabéns Pastor Marcos Lima, por está fazendo a diferença na igreja em São Vicente e nessa geração. Que Deus abençoe a sua vida e te der mais e mais sabendo!

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  5. Parabéns Pastor! O ser humano é capaz de mudanças quando o caminho escolhido é o da fé. Estar presente em comunhão com outras pessoas e buscar a igualdade e solidariedade humana. Que Deus o conserve sendo instrumento.

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  6. Parabens pastor Marcos que Deus continue lhe abençoando sempre...
    Rafael parabens pelo blog.sucesso ficou muito bom

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