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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Crítica de "Ben-Hur (2016)"

*Por Wanderley Andrade

Refilmar um dos melhores épicos do cinema mundial, ganhador de onze estatuetas no Oscar. Esse foi o desafio enfrentado pelo estúdio Paramount quando decidiu trazer outra vez para as telas o clássico Ben-Hur. Como seguir por um caminho diferente e propor um novo ponto de vista para a história? Comparações serão inevitáveis. Difícil será entrar no cinema e não ficar ansioso para descobrir quais as novas propostas para cenas como a da famosa corrida de bigas.
O filme começa devagar. A trilha sonora piegas insiste em aparecer a cada gesto de afeto que surja na tela. Difícil não fazer uma ponte com alguma novela da Rede Record. E “novela” é a palavra mais indicada para descrever a primeira parte da história. No longa, Judah Ben-Hur (Jack Huston) e Messala (Toby Kebbell) são irmãos de criação. Messala é de origem romana. Quando criança, foi adotado pela família de Ben-Hur. A indiferença no tratamento que recebe da mãe de criação e a falta de boas perspectivas para o futuro o leva a tomar uma importante decisão: irá lutar ao lado dos romanos. Volta anos depois já como oficial do exército de Roma. Mas um incidente com Pôncio Pilatos (Pilou Asbæk) muda o percurso das suas vidas e põe os irmãos frente a frente como grandes inimigos. Por ordem de Messala, Ben-Hur é levado como escravo em uma galé.






A prisão de Ben-Hur dá um fôlego maior ao filme, que tem na direção o russo Timur Bekmambetov (O Procurado). O que antes parecia uma novela, passa a ganhar ares de um grande épico. O roteiro de Keith Clarke (Caminho da Liberdade) e John Ridley (12 Anos de Escravidão), consegue, enfim, dosar ação e trama consistente. Nada é gratuito, tudo está bem amarrado.
Ben-Hur traz em sua essência uma mensagem de perdão, ainda que a sede por vingança do protagonista sirva de mola propulsora para boa parte da trama. Essa mensagem é proclamada pelo personagem interpretado, com maestria, por Rodrigo Santoro: Jesus Cristo, que terá grande importância para história.

O bom trabalho realizado e a segurança transmitida no papel do protagonista, faz do ator inglês Jack Huston um dos bons nomes do elenco. Para quem não o conhece, sua ligação com Hollywood já vem de berço: é neto do famoso diretor de cinema John Huston (Falcão Maltês, O Tesouro da Sierra Madre) e sobrinho da atriz Anjelica Huston. Outro que também se destaca é o ator Toby Kebbell encarnando o antagonista Messala. Morgan Freeman, grande nome do cinema mundial, interpreta o xeque Ildarin. Ironicamente, traz apenas um pouco do que já fez em outras produções: uma atuação burocrática, apesar da importância de seu personagem para a trama.

Estar à sombra de um grande clássico do cinema mundial não mexeu com o resultado final de Ben-Hur. Os roteiristas foram felizes ao propor um novo olhar para a história, e um final satisfatório. Quanto à corrida de bigas… melhor você assistir!

*Wanderley Andrade é jornalista e crítico do site Cinegrafando

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