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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Reverendo Sérgio Andrade é o novo presidente da Diaconia

A Diaconia tem um novo presidente para o triênio 2016-2018. Reverendo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Sérgio Andrade nasceu no Rio de Janeiro, mas reside no Recife há quase 20 anos. Chegou na capital pernambucana em 1997 para trabalhar no terceiro setor e, dois anos depois, foi incorporado ao quadro funcional da Diaconia como coordenador de Programa Social, função que desempenhou até 2010. Entre 2010 e 2011, atuou como coordenador Político-Pedagógico e, no triênio 2013-2015, ocupou a função de 1º tesoureiro no Conselho Diretor da entidade. É casado com a professora Karina Advíncula e pai de cinco filhos: Luis Guilherme (23), Mariana (20), Isabela (19), Pedro e Letícia (6). Nesta entrevista, Sérgio Andrade fala sobre os desafios e expectativas para os próximos três anos, adianta as marcas da sua gestão, e comenta os impactos da atual conjuntura nacional e internacional sobre o terceiro setor.

1 – O que significa/representa para o senhor estar à frente de uma instituição comprometida há quase cinco décadas com a promoção e defesa dos direitos humanos?

Participar da Diaconia, agora como colaborador na presidência da instituição, ao lado de outros irmãos e irmãs, é acima de tudo uma imensa responsabilidade. Digo isso diante da história da Diaconia e de tudo aquilo que foi construído no passado com nossos parceiros e público beneficiário. Olho também para o futuro e reconheço os enormes desafios que estão diante de nós, particularmente em tempo tão complexos como este, nas conjunturas nacional e internacional. Que Deus nos conceda sabedoria e discernimento para os dias que virão.

2 – Além de compor a gestão anterior como 1º Tesoureiro, o senhor também já integrou corpo funcional da Diaconia em duas ocasiões. De que forma essa experiência/proximidade com a instituição poderá contribuir, agora, para a sua atuação à frente do Conselho Diretor?

De fato, conheço a instituição. Participei de um período importante de sua história recente e aprendi muito sobre a Diaconia, sua missão e trabalho. Um dos aspectos mais fortes da instituição é sua capacidade mobilizadora e intensa participação horizontal. Creio que, nessa perspectiva, colaborarei a partir de compromissos que sempre assumi na minha caminhada com a instituição. Diálogo participativo, descentralização, compromisso com a garantia de direitos e protagonismo dos beneficiários deverão estar sempre presentes em nosso trabalho.

3 – Que desafios a nova gestão da Diaconia deve enfrentar neste triênio? E o que a sociedade pode esperar da instituição para os próximos três anos?

As mudanças em curso na sociedade brasileira e no mundo no campo político-econômico-social nos fazem refletir sobre os novos papéis de instituições como Diaconia. Atualmente, caminhamos para o encerramento do nosso plano decenal e, a partir do que planejamos, devemos construir o que desejamos ser no futuro. Prudência, diálogo, coragem e firmeza devem ser as marcas de uma gestão que pretende obter êxito para o encerramento desta etapa, ressaltando que nosso olhar deve estar firmado permanentemente para nosso público beneficiário.

4. O Brasil vive um período de instabilidade política e econômica, com impactos diretos no terceiro setor. Como o senhor avalia o atual cenário e que caminhos as organizações da sociedade civil devem seguir para “driblar” as dificuldades apresentadas neste momento?

O cenário atual está repleto de desafios para o terceiro setor. Encontrar caminhos para realizar aquilo que ainda nos falta irá requerer criatividade e compromisso. É verdade que deveremos acessar números menores de recursos públicos diante desta crise econômica. Porém, é preciso reconhecer que ainda há campo aberto para que, ao lado de nossos parceiros, sigamos lutando por políticas amplas que atendam as demandas sociais, particularmente para crianças, adolescentes, jovens, agricultores e agricultoras.

5 – As agências de cooperação internacional também estão de saída do Brasil. Alguns parceiros históricos da Diaconia, como a Igreja da Suécia, passam a concentrar investimentos em países da América Central e da Europa. Como a Diaconia está se adaptando a esse novo cenário?

Em primeiro lugar, devemos reconhecer que Diaconia contou e ainda conta com o apoio destas agências. Digo isso porque a sustentabilidade institucional passa pelo aporte de recurso financeiro, mas, principalmente, pela legitimidade política e social; e esta, sem dúvida, foi fruto de um companheirismo histórico com as agências internacionais que reconheceram a seriedade de nosso trabalho e o compromisso com a justiça, a dignidade e os direitos humanos.

É verdade que alguns parceiros investem em outros países. Tal realidade impõe à Diaconia e outras instituições a procura de novos caminhos. Creio que encontraremos outras mãos que andem conosco. Há um enorme potencial na sociedade brasileira, particularmente nas igrejas, que precisa ser reconhecido e desenvolvido. O Brasil não é um país pobre. Somos uma nação marcada, historicamente, pela injustiça.

(Por Clara Cavalcanti, assessora de comunicação da Diaconia)

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